O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, permanece sob risco iminente de afastamento definitivo do cargo. Nesta quarta-feira (9), o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as decisões conflitantes dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o destino de Rodrigues, mas isso não significa que o delegado esteja fora de perigo.
Na decisão, Fachin concedeu prazo de 48 horas para que Rodrigues preste esclarecimentos sobre os relatórios de inteligência que monitoraram Mendonça e o advogado-geral da União, Jorge Messias, entre 3 e 31 de agosto. Somente após o recebimento dessas explicações, a Presidência do STF vai decidir se o diretor-geral permanece ou não no comando da corporação.
"Intime-se o Sr. Andrei Augusto Passos Rodrigues, para, em 48 (quarenta e oito) horas, querendo, prestar informações, prazo após o qual sua permanência na Direção-Geral da Polícia Federal, à luz do disposto no art. 33, parágrafo único da LOMAN, será apreciada por esta Presidência", determinou Fachin.
O caso se tornou um imbróglio dentro do próprio STF. Na terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento preventivo de Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, classificando o monitoramento como "arapongagem institucional". Menos de 24 horas depois, Dino reverteu a decisão e reintegrou os dois aos cargos, sob o argumento de que a paralisação da inteligência policial comprometeria investigações em andamento, como o caso "Dark Horse".
Diante do "inconciliável conflito de posições judiciais", nas palavras do próprio Fachin, o presidente da Corte suspendeu ambas as liminares, cancelou a sessão de plenário que estava marcada e assumiu para si a decisão final sobre o futuro de Rodrigues.
Com o relógio correndo, a expectativa é que Rodrigues apresente sua defesa até esta sexta-feira (11). A partir daí, cabe a Fachin decidir, sozinho, à luz da LOMAN, se o diretor-geral da PF continua ou se deixa definitivamente o comando da corporação, num episódio que já expõe rachas profundos entre os ministros do Supremo.