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Alexandre de Moraes, ministro do STF. (Foto: Rosinei Coutinho/STF).
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Moraes liga relatório da PF à interferência estrangeira na eleição

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou que o relatório da PF (Polícia Federal) sobre suas supostas conversas com Daniel Vorcaro teria sido produzido com a participação de agentes externos, “provavelmente estrangeiros”, com o objetivo de interferir nas eleições brasileiras de 2026.

Moraes não identifica qual país, órgão ou autoridade estrangeira teria participado da elaboração do documento. Embora cite as sanções impostas pelos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky e a cassação de vistos de autoridades brasileiras, o magistrado não atribui expressamente a interferência ao governo americano ou a uma instituição específica.

Na defesa de 44 páginas apresentada à Corte na madrugada desta terça-feira (15), horas antes do julgamento que analisará se será aberta uma investigação contra ele, Moraes sustentou que o prazo de 72 horas para a elaboração do relatório seria incompatível com a extensão do trabalho.

Segundo o ministro, os metadados mostram que o documento foi aberto e finalizado no mesmo dia em um computador da PF. Para Moraes, o relatório teria sido produzido externamente, enviado à corporação e apenas inserido no sistema.

“O prazo de elaboração foi de 72 horas, impossível para aquele relatório, mas os metadados comprovam que o relato não foi produzido efetivamente pela Polícia Federal, mas sim por agentes externos — pela forma de produção, provavelmente estrangeiros, comprovando a tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras — que somente enviaram o resultado para a Polícia Federal. Os metadados mostram que o IPJ foi aberto e finalizado no mesmo dia no computador da PF, ou seja, foi simplesmente inserido”, afirmou.

Moraes argumentou que essa forma de produção reforçaria a quebra da cadeia de custódia e impediria a verificação da autenticidade e da integridade dos dados utilizados no relatório.

“O relatório é imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”, declarou.

O ministro também relacionou a suspeita ao afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça e posteriormente revertido por Flávio Dino.

“Há, inclusive, a suspeita de que o providencial afastamento do Diretor da PF, que estranhamente foi comemorado por autoridades estrangeiras, foi para que não pudesse averiguar a produção externa desse relatório”, escreveu.

Embora não identifique os supostos responsáveis pela interferência, Moraes citou as pressões internacionais sofridas por integrantes do STF.

“Não é demais relembrar as inúmeras pressões estrangeiras contra a Justiça brasileira e esse STF, inclusive com a cassação do visto de diversas autoridades e a aplicação da Lei Magnitski.”

Moraes e sua mulher, Viviane Barci de Moraes, foram alvo de sanções do governo dos Estados Unidos após uma ofensiva conduzida por Eduardo Bolsonaro junto a autoridades americanas, incluindo integrantes do Departamento de Estado.

O ministro foi incluído na lista de sancionados pela Lei Magnitsky em julho de 2025. Viviane e o Lex Instituto de Estudos Jurídicos foram atingidos em setembro daquele ano. As medidas foram aplicadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Em dezembro de 2025, o governo americano retirou Moraes, Viviane e o instituto da lista de sancionados.

Na manifestação entregue ao STF, Moraes alegou ainda que a forma de acesso ao material extraído do celular de Vorcaro pode ter permitido o compartilhamento dos dados com terceiros.

“A quebra da ‘cadeia de custódia’ permite inserir arquivos falsos, mensagens em ‘blocos de notas’, entre outras irregularidades, principalmente quando o material apreendido é enviado ao gabinete do magistrado relator, sem qualquer observância dos procedimentos mínimos de segurança, como indicado nos relatórios de inteligência da Polícia Federal, e também se permite acesso a terceiros, possivelmente autoridades estrangeiras”, declarou.

Na defesa, Moraes acusou Mendonça de direcionar a investigação para incriminá-lo e classificou a apuração como uma “farsa” destinada a atribuir-lhe condutas ilícitas.

“O que eventualmente não auxiliasse na criação da farsa determinada pelo ministro relator, André Mendonça — imputar condutas ilícitas ao ministro Alexandre de Moraes — não foi analisado, nem mostrado”, afirmou.

CNN Brasil

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