A máfia tem o seu código de ética, como bem lembrou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes (foto) na sessão de terça, 15 de setembro.
Para lucrar com negócios ilegais — seja o contrabando ou o narcotráfico —, a máfia organiza uma estrutura hierarquizada que dissemina o medo na sociedade e entre os seus integrantes.
Qualquer um que desafie o negócio do grupo é intimidado ou, no limite, eliminado.
Uma estrutura armada é formada na clandestinidade para impor a força.
Para evitar qualquer ameaça, a máfia estabelece um código de silêncio na sociedade.
Ninguém é autorizado a falar sobre as atividades do grupo, sob pena de arcar com as consequências.
Além disso, cria-se uma estrutura paralela ao Estado, que parasita a máquina pública e, ao mesmo tempo, impede que a força das instituições atue para restabelecer a ordem.
Não existe o crime de máfia no Brasil, nem tampouco algum ministro do STF esteja perto de integrar algo parecido.
Mas é uma coincidência e tanto que Gilmar Mendes tenha falado de ética da máfia um dia antes de vazarem conversas entre ele e os colegas Luiz Fux e Nunes Marques.
Nos diálogos, Gilmar atua às escondidas para intimidar os demais juízes e obrigá-los a atender seus desejos.
Com isso, faz algo totalmente fora do regulamento interno da Corte e da Constituição, que exigem o decoro e proíbem os togados de atuar por questões e interesses pessoais.
CRUSOÉ