A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) fez duras críticas ao Supremo Tribunal Federal após o pedido de vista do ministro Flávio Dino suspender o julgamento sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes nesta terça-feira (15). Segundo a senadora, a sociedade brasileira já teria elementos suficientes para concluir que houve irregularidades por parte de Moraes. "A sociedade sabe que existe um contrato entre a esposa de um ministro e um corrupto. Não tem mais o que provar, já está materializado", afirmou.
Damares foi além da defesa de um simples processo de impeachment contra o ministro. "Eu não quero só o impeachment dele. Eu acho que ele cometeu crimes graves e ele tem que ser preso", declarou a senadora, que avaliou não haver mais possibilidade de uma renúncia negociada. "O ministro Alexandre de Moraes acha que ele é um deus, então ele não vai renunciar, ele vai querer ir até o fim. Só que, lamento, contra fatos não há argumentos."
A senadora também defendeu que, caso a investigação avance, outros ministros da Corte sejam igualmente apurados, mencionando nominalmente colegas citados por Flávio Dino durante a sessão, como Luiz Fux, Cristiano Zanin e Dias Toffoli. "Se tiver que investigar 10, vamos investigar os 10. Se tiver que afastar os 10, vamos afastar os 10. Não podemos perder essa oportunidade. Ela é única de limpeza da Suprema Corte", disse.
Damares anunciou ainda que vai propor, no âmbito da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, a criação de um grupo de trabalho para apresentar, em 60 dias, uma proposta de "ampla e irrestrita reforma do Poder Judiciário" no Brasil.