As novas mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro podem complicar uma terceira tentativa de colaboração premiada do ex-banqueiro.
Na semana passada, em depoimento de mais de quatro horas à Polícia Federal, o dono do Master negou ter influência dentro do Banco Central e afirmou não ter recebido informações privilegiadas. Ao final da oitiva, no entanto, sinalizou que poderia falar mais em um contexto de delação.
O conteúdo revelado agora pressiona essa estratégia. Em conversas apreendidas pela PF, Vorcaro menciona informações recebidas de forma informal e confidencial, cita interlocutores no Banco Central e traz menções diretas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O material ainda precisa ser analisado à luz do conjunto da investigação, mas sugere uma atuação distinta do registrado no último depoimento.
A revelação chega em momento delicado para a defesa, que tenta reconstruir a confiança dos investigadores. Vorcaro já tentou fechar acordo duas vezes, sem sucesso.
Nas negociações anteriores, a PF resistiu às informações apresentadas. Por vezes identificou inconsistências. Em outras, avaliou que faltavam fatos novos capazes de ampliar a apuração.
Juristas ouvidos pela CNN avaliam que a divergência entre o depoimento e as mensagens não inviabiliza uma colaboração, mas pode tornar a negociação mais difícil. A dúvida deixa de ser apenas o que Vorcaro ainda pode entregar e passa a incluir o que ele já sabia e optou por não revelar quando questionado formalmente.
A perícia segue avançando sobre celulares, mensagens e movimentações financeiras, e isso pesa contra a defesa. Se a PF conseguir chegar sozinha a interlocutores, fluxos de informação e eventuais pagamentos, esses elementos perdem valor de barganha numa eventual negociação.
Para que uma terceira tentativa tenha chance de prosperar, Vorcaro precisaria apresentar algo que ainda não esteja ao alcance dos investigadores e que efetivamente abra novas frentes de apuração. Sua defesa, ao mesmo tempo, terá de explicar a distância entre a versão dada na oitiva e o conteúdo que agora aparece nos aparelhos apreendidos.
CNN Brasil