A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elevou a “nível de criticidade” o risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A avaliação consta de um relatório enviado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, diz a Folha.
Segundo o documento, há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”. A agência relaciona o movimento à estratégia do governo de Donald Trump para ampliar a influência americana na América Latina e reduzir a presença de potências rivais, sobretudo a China.
A Abin cita sanções impostas em julho pelo governo americano a dois brasileiros e três empresas por supostos vínculos com o PCC. Para a agência, a medida “representa mudança de fase na escalada de sanções e interferência estadunidense”. “O episódio reforça a avaliação de que a interferência externa dos EUA sobre o Brasil ocorre de modo gradual, combinado e adaptativo”, afirma o relatório.
O documento também menciona a atuação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, e atribui ao governo Trump uma estratégia de apoio à ascensão de governos conservadores alinhados aos EUA na região.
Apesar do alerta da Abin, integrantes do TSE ouvidos reservadamente pelo jornal O Globo afirmam que, até o momento, não foram identificados sinais concretos de influência externa sobre o processo eleitoral. A Corte acompanha o risco e mantém interlocução com a Abin, que participa de dois grupos de trabalho do tribunal.
Em outro trecho, a agência afirma que a pressão americana pode atingir relações financeiras, acesso ao dólar e operações internacionais de empresas brasileiras.
O relatório também cita uma minuta apresentada pelo governo Trump em 2025 que propunha compromissos do Brasil sobre a participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026.
O ANTANGONISTA