O ministro André Mendonça, do STF, comparou o monitoramento feito pela inteligência da Polícia Federal sobre ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, ao cenário descrito por George Orwell no livro “1984”. A declaração está na decisão em que Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
Segundo Mendonça, a PF produziu ao menos seis relatórios de inteligência entre 3 e 31 de agosto, período que, segundo ele, indica um monitoramento sistemático por 30 dias. Um dos documentos também levantou a hipótese de que Messias teria deixado de recorrer de decisões relacionadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero para preservar uma relação política com o relator. Mendonça classificou essa conclusão como baseada em ilações genéricas.
O ministro questionou ainda a competência da área de inteligência da PF para avaliar decisões judiciais, a atuação da AGU e o trabalho de policiais. Para Mendonça, os relatórios configuram uma prática ilegal e podem comprometer a independência das instituições. Ele determinou que a Corregedoria da PF investigue a produção dos documentos e suspendeu a elaboração e o compartilhamento de relatórios de inteligência sobre atos praticados por magistrados, integrantes da advocacia pública e policiais. A decisão ainda precisa ser analisada pela 2ª Turma do STF.
Com informações do Poder 360