Em uma conversa reservada com o presidente Lula, há poucos meses, Kassio Nunes Marques garantiu que, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não atuaria para ajudar ou prejudicar ninguém na eleição presidencial.
Lula deixa claro para aliados que o ministro não cumpriu o prometido. Em entrevista, afirmou que o presidente da corte eleitoral “não pode ter lado” e criticou o fato de Nunes Marques ter derrubado o canal “Exército de Lula” sem identificar ilegalidades, atropelando uma decisão do corregedor do TSE. Nunes Marques também suspendeu votações no plenário virtual que já tinham dado vitória à campanha de Lula.
Desde que Lula assumiu a presidência, Nunes Marques adotou uma estratégia de ficar com um pé em cada canoa e se aproximar do chefe do Executivo. Após Flávio Bolsonaro chegar ao fim do primeiro turno com pouco menos de dois pontos percentuais à frente do petista, porém, o presidente do TSE despertou incômodo entre colegas da corte eleitoral e do próprio STF, que veem uma atuação explícita para favorecer Flávio Bolsonaro.
Ao longo do governo Lula, Nunes Marques se aproximou do presidente e até apadrinhou nomes para tribunais como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Os dois também chegaram a ter reunião a sós regada a uísque.
BELA MEGALE - O GLOBO