Depois de a Polícia Federal recusar pela segunda vez um acordo de delação premiada com Daniel Vorcaro, a Procuradoria-Geral da República se prepara para também rejeitar a proposta do dono do Master nesta segunda-feira. De acordo com fontes envolvidas nas discussões, essa é a expectativa no Ministério Público.
A resposta ao relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, será dada por escrito e de forma fundamentada, como manda a lei que regulamenta o tema. Na última quinta-feira (11), a PF encaminhou por email aos advogados de Vorcaro a formalização de sua recusa aos anexos entregues aos investigadores.
Assim como os delegados da PF, os procuradores da República também avaliaram que as informações e documentos que o ex-banqueiro se propôs a entregar são insuficientes para justificar um acordo, já que não acrescentam elementos novos em relação ao que eles já apuraram e não aprofundam o que eles já sabem.
Volta para a Papuda
De acordo com fontes familiarizadas com as discussões, a PGR não vai opinar sobre o destino de Vorcaro após o final das negociações, mas a recusa formal do Ministério Público a prosseguir com o acordo abrirá caminho para que o ministro André Mendonça determine a volta do dono do banco Master para o Complexo Penitenciário da Papuda, onde ele estava até março. Naquele momento, quando começou a negociação para uma colaboração, Vorcaro foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
Caso não haja nenhuma reviravolta na última hora, Vorcaro deve ser enviado para a Penitenciária Federal do DF. Sua transferência para a Superintendência da PF no Distrito Federal é consequência natural do fracasso das negociações, uma vez que a decisão de Mendonça de mantê-lo na prisão diferenciada sejustificava pela necessidade de ele se reunir com os advogados para preparar a delação.
Desde março, quando ele foi para a PF, já foram duas tentativas.
Na primeira rodada de conversa, quando a PF recusou a proposta de Vorcaro, a PGR preferiu manter a negociação aberta e permitir que ele melhorasse sua proposta. Agora, as coisas mudaram, e as duas instituições estão seguindo o mesmo rumo.
Malu Gaspar - O Globo