O vereador de Mossoró Cabo Deyvison (PL) ficou visivelmente abalado ao saber da morte do assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais, baleado na cabeça durante o atentado que atingiu ambos na noite de segunda-feira (15), em frente à UPA do Alto de São Manoel. Ainda no local do crime, com ferimentos nas pernas e visivelmente transtornado, o parlamentar foi registrado em vídeo gritando o nome do assessor e prometendo "achar o vagabundo" responsável pelo ataque. Nos registros audiovisuais captados logo após os disparos, Deyvison xingou os autores do crime, chamou-os de "terroristas" e lamentou a morte de Diego com evidente desespero.
Em meio à comoção, o vereador fez declarações contundentes sobre a situação da segurança pública em Mossoró e no Rio Grande do Norte, afirmando que vivia em um "narcoestado". A fala reflete o discurso que Cabo Deyvison adota desde que assumiu o mandato na Câmara Municipal, onde se tornou o principal porta-voz da oposição e passou a denunciar publicamente a atuação de facções criminosas na cidade. O parlamentar, que é policial militar, já havia afirmado em outras ocasiões que enfrentava ameaças e que o poder público era conivente com o avanço do crime organizado.
Horas depois do atentado, já internado no Hospital Regional Tarcísio Maia com quadro estável, Deyvison gravou vídeo em que reafirmou a postura combativa. "Em um ano e meio de política, tentaram contra a minha vida duas vezes. Por tudo isso que aconteceu, agora é questão de honra. Vocês não vão conseguir me calar. Eu vou com mais força pra cima de vocês", declarou. O vereador classificou como inimigos declarados "o sistema, os políticos corruptos e os faccionados" e disse que seguirá denunciando a atuação do crime organizado sem recuar.
A reação emotiva e combativa do parlamentar repercutiu intensamente nas redes sociais e dividiu opiniões. Apoiadores exaltaram a coragem do vereador e cobraram punição aos responsáveis, enquanto analistas de segurança alertaram para os riscos de declarações inflamadas em um contexto de vulnerabilidade. O assessor Alyson Dyego, de 37 anos, era responsável pela página Resenha de Mossoró e deixou família. O atentado é o mais grave contra um agente político no Rio Grande do Norte nos últimos anos e reacendeu o debate sobre a escalada da violência ligada a facções na região Oeste do estado. (Fontes: G1, Tribuna do Norte, 96 FM)