O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra o senador Flávio Bolsonaro, chamando-o de imbecil e traidor. A reação do chefe do Executivo ocorre em meio a discussões sobre possíveis sanções econômicas dos Estados Unidos, associando a postura do parlamentar a um eventual tarifaço americano contra o mercado brasileiro. Críticos ponderam, no entanto, que tais medidas restritivas ainda estão em fase de estudo pelo governo dos Estados Unidos e não foram formalmente implementadas.
A tensão internacional ganhou força após declarações de Marco Rubio, que sinalizou que o Brasil, ao lado de nações como Venezuela e Cuba, não seria considerado um país amigo de Washington. Em viagem recente aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro buscou articular junto a autoridades americanas o enquadramento de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, iniciativa que obteve êxito no diálogo diplomático e conta com ampla aprovação de setores da população civil devido ao avanço da criminalidade.
Analistas de política externa avaliam que o desgaste na relação bilateral decorre mais do alinhamento ideológico do Palácio do Planalto do que da atuação da oposição. A proximidade do governo brasileiro com os regimes de Nicolás Maduro e de Cuba, incluindo apelos diretos de Lula a Donald Trump para rever sanções à ilha caribenha, acendeu o alerta em Washington. O cenário é agravado pelas preocupações externas sobre o papel do Brasil nas rotas de exportação de entorpecentes para o mercado norte-americano.