A "Lei Vini Jr.", nova regra aprovada pela Ifab e pela FIFA que entrou em vigor na Copa do Mundo de 2026, foi aplicada pela primeira vez na madrugada deste sábado durante a partida entre Paraguai e Turquia, disputada no Levi's Stadium, em Santa Clara, nos Estados Unidos. O meia paraguaio Miguel Almirón se tornou o primeiro jogador expulso no Mundial pela nova regulamentação ao tapar a boca com a mão durante uma discussão com o jogador turco Mert Müldür nos acréscimos do primeiro tempo. A partida terminou com vitória paraguaia por 1 a 0.
A expulsão foi indicada pelo árbitro assistente de vídeo, o VAR, que chamou o árbitro salvadorenho Iván Barton para revisar o lance no monitor. Após analisar as imagens, Barton aplicou o cartão vermelho direto a Almirón, que deixou o campo já na reta final do primeiro tempo. O jogador turco Müldür foi apontado como o responsável por denunciar o gesto do adversário à arbitragem, atraindo a atenção do VAR para o lance.
A Lei Vini Jr. foi aprovada em abril pela Ifab e passou a valer oficialmente a partir do início do Mundial de 2026. A nova regra determina a expulsão imediata de jogadores que cobrirem a boca com a mão ao se dirigir a adversários, árbitros ou outros agentes esportivos em situações de confronto. O objetivo da norma é impedir que o gesto seja usado para ocultar ofensas verbais, insultos ou declarações de cunho discriminatório durante as partidas, prática que ficou associada ao nome de Vinícius Júnior após episódios envolvendo o atacante brasileiro em jogos internacionais.
O nome da regra faz referência direta às situações vividas pelo atacante do Real Madrid e da seleção brasileira, que foi alvo recorrente de ofensas racistas em campos europeus e cujas denúncias impulsionaram um movimento internacional por mudanças nas leis do futebol. A aprovação da norma representou uma vitória simbólica importante para o debate sobre o combate ao racismo no esporte, elevando o custo imediato para jogadores que utilizem o gesto para disfarçar declarações discriminatórias.
O episódio com Almirón reacendeu o debate sobre a aplicação prática da regra e sobre os critérios usados pela arbitragem para distinguir uma conversa normal de uma possível infração. Críticos da norma questionam se a simples cobertura da boca, independentemente do conteúdo da fala, é punição suficiente para justificar uma expulsão que pode alterar completamente o resultado de uma partida. Defensores, por outro lado, avaliam que a rigidez da punição é exatamente o que garante o efeito dissuasório da regra.