O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), ex-promotor de justiça e ex-secretário de segurança pública de Alagoas, usou as redes sociais para cobrar a prisão do presidente Lula após o Ministério da Justiça enviar ofícios a mais de 50 órgãos públicos solicitando a devolução de policiais federais cedidos a gabinetes do STF. Para Gaspar, a medida configura obstrução de justiça e deveria ser punida com a prisão imediata do presidente.
"Se fosse qualquer outro personagem, o STF já tinha decretado a prisão por obstrução da justiça. STF, prisão para Lula já", afirmou o parlamentar, que foi relator da CPMI do INSS.
Os comentaristas do Jornal das 6 reconheceram a gravidade da situação, mas classificaram o pedido de prisão como um discurso populista sem respaldo jurídico imediato. "Ele é ex-promotor, concordo com ele que é obstrução de justiça, mas essa prisão não pode", avaliou um dos apresentadores. O raciocínio é simples: Lula é presidente da República em exercício, o que torna qualquer pedido de prisão um caminho repleto de obstáculos institucionais, independentemente da gravidade dos fatos em apuração.
O pano de fundo do pronunciamento de Gaspar é a decisão do Ministério da Justiça de retirar policiais federais que assessoravam diretamente o ministro André Mendonça nos dois inquéritos mais sensíveis ao governo: o caso Banco Master, que envolve o nome de Lulinha, filho do presidente, e o caso INSS, que já chegou ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner. O delegado Thiago Marcantônio, que assessora Mendonça com passagem pela Lava-Jato, é o nome mais citado nos bastidores como alvo do movimento. Segundo fontes da PF ouvidas pelo Estadão, o desconforto do Planalto com as investigações vem crescendo há semanas.