A distribuição das centenas de ingressos comprados pela CBF para os jogos do Brasil na Copa do Mundo virou motivo de disputa política nos bastidores da entidade. O conflito não envolve apenas quem terá direito a assistir às partidas, mas principalmente quem controla a escolha dos convidados e, com isso, fortalece sua influência sobre presidentes de federações e dirigentes de clubes.
Os ingressos sob responsabilidade da CBF são utilizados para atender aliados, aproximar dirigentes e administrar relações políticas. Segundo fontes da CBF ouvidas pelo blog, dois nomes tentam influenciar essa distribuição: o diretor de seleções, Gustavo Feijó, e Francisco Mendes, vice-presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol, que também participa das conversas com os clubes sobre a criação de uma liga no Brasil. Feijó e Mendes afirmaram desconhecer qualquer disputa sobre o tema.
Procurada, a CBF informou que não há uma pessoa isoladamente responsável pela distribuição dos ingressos e que o assunto é conduzido pelo gabinete do presidente Samir Xaud, a partir de decisões tomadas em grupo. Dentro do gabinete, porém, o diretor Helder Melillo é apontado por integrantes da entidade como o dirigente com maior poder operacional.
Helder tem a confiança de Mendes, que, segundo relatos de bastidores, mantém resistência a Feijó por associá-lo a práticas políticas consideradas antigas na CBF. A versão oficial da entidade é que a relação de convidados foi definida ainda no Brasil, antes da viagem da delegação aos Estados Unidos, e que não existe insatisfação entre os dirigentes. A CBF também sustenta que nenhuma pessoa decide sozinha quem recebe as entradas.
Ingressos Vip
Todos os ingressos para federações e clubes são do setor CAT 1, com hospitalidade e VIP. Ou seja, estão entre os mais caros, independentemente da quantidade. Fontes da própria confederação, inclusive,, afirmam que não há um critério igual para todas as federações. A quantidade de ingressos, lugares em voos e hospedagens teria variado conforme o apoio e o capital político que cada dirigente oferece à atual gestão.
Na prática, federações consideradas mais próximas ou mais importantes para a sustentação de Samir Xaud teriam recebido tratamento diferente. O tema ganha importância em meio à movimentação política em torno do presidente da CBF. Na última semana, presidentes de federações estaduais se reuniram em Orlando em uma demonstração de apoio a Samir Xaud. Depois do encontro, o dirigente seguiu para Nova Jersey, onde acompanhou um treino da seleção brasileira, e posteriormente foi à Filadélfia para o jogo contra o Haiti. Próxima parada será Miami, onde o Brasil encara a Escócia.
O Globo