O ministro Gilmar Mendes, do STF, concedeu pelo menos 11 entrevistas entre abril e junho de 2026, período marcado por críticas à Corte relacionadas aos desdobramentos do caso Banco Master e por cobranças de maior transparência e regras de conduta para magistrados.
Um levantamento do Poder360 aponta que, entre 19 de abril e 19 de junho, Gilmar falou a emissoras de TV, rádios, jornais, portais de notícias, podcasts e veículos especializados na cobertura jurídica. Nesta segunda-feira (22), o ministro participa de mais uma entrevista, no programa Roda Viva, da TV Cultura.
A sequência mais intensa ocorreu em abril, quando Gilmar concedeu entrevistas a sete veículos em apenas três dias, entre eles Jornal da Globo, Record, Band, CNN Brasil, Metrópoles, Correio Braziliense e o jornal português Expresso.
Nas entrevistas, o ministro rebateu críticas ao STF, comentou o inquérito das fake news e abordou o caso Banco Master. Segundo o levantamento, o tema foi um dos mais recorrentes em suas declarações públicas.
As manifestações ocorreram em meio a questionamentos sobre possíveis vínculos entre ministros do STF e o Banco Master. Entre os episódios citados estão a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria de um processo relacionado ao banco e a divulgação de contratos de prestação de serviços jurídicos envolvendo escritório ligado à família do ministro Alexandre de Moraes.
A exposição frequente de Gilmar também reacendeu o debate sobre os limites da atuação pública de magistrados. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) proíbe juízes de se manifestarem sobre processos pendentes de julgamento, enquanto o Código de Ética recomenda cautela na relação com a imprensa.
Aliados do ministro, porém, sustentam que as entrevistas têm caráter de defesa institucional do STF diante das críticas dirigidas à Corte.