A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem contra o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo. A investigação aponta manipulação de balanço, superavaliação de ativos e uso de fundos de investimento para esconder um rombo bilionário. O esquema, segundo a PF, replica a mesma tática usada pelo Banco Master, que teve a liquidação extrajudicial decretada em novembro de 2025.
A notícia é do G1. No caso do Digimais, o banco emitiu CDBs com taxas acima de 110% do CDI para captar recursos do varejo enquanto ocultava sua situação financeira real. Entre 2023 e 2024, acumulou uma exposição de cerca de R$ 600 milhões ao Master. A PF bloqueou R$ 670 milhões em bens de investigados, entre eles o próprio Macedo, que não foi alvo de busca e apreensão por residir no exterior.
O padrão se repete. O Banco BVA, quebrado em 2012, já havia usado estratégia semelhante: captação agressiva no varejo com taxas altas, balanços maquiados e ativos superfaturados. Décadas depois, as mesmas brechas regulatórias continuam sendo exploradas, o que levanta questões sobre a efetividade da supervisão do Banco Central sobre instituições de médio porte.
A vulnerabilidade do sistema financeiro brasileiro a esses esquemas passa por três fatores recorrentes: fiscalização tardia pelo BC, uso de fundos opacos para inflar ativos e captação via plataformas de investimento sem que os clientes de varejo tenham acesso a informações claras sobre o risco real das instituições.