Poucas horas depois de os Estados Unidos proporem tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já haviam encontrado uma forma de explorar politicamente a ameaça. A Bloomberg reportou nesta quarta-feira (3) que governistas passaram a chamar a medida americana de "TariFlávio", em referência direta ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se reuniu com Donald Trump na Casa Branca na semana passada.
A estratégia busca colar a imagem de Flávio ao tarifaço e transformar a crise comercial em trunfo eleitoral para Lula. Segundo a Bloomberg, o episódio oferece ao presidente a oportunidade de retomar a narrativa de defesa da soberania nacional, discurso que já havia sido utilizado com sucesso durante o primeiro tarifaço, em 2025, e que fortaleceu a popularidade do governo naquele período.
A aposta do governo é que a associação entre a visita de Flávio a Washington e o anúncio da taxação se consolide no imaginário do eleitor como uma relação de causa e efeito. Lula reforçou essa tese ao afirmar, na terça-feira (2), que os filhos de Bolsonaro "foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras", conforme reportou a Agência Brasil.
O termo "TariFlávio" já circula nas redes sociais e tende a ser incorporado à retórica da campanha governista nos próximos meses. Analistas ouvidos pela Bloomberg avaliam que o episódio é o mais favorável a Lula desde o início da pré-campanha, embora alertem que o impacto real dependerá de como a economia brasileira absorver as consequências das tarifas americanas.
Fontes: Bloomberg, Agência Brasil