Rosas di Maria 2
O presidente Lula no Palácio do Planalto — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
economia

Lula diz que Brasil vive “melhor momento econômico”; no mesmo dia, dívida pública chegou aos R$ 10,6 trilhões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (30), durante a 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, que o Brasil vive seu “melhor momento econômico” após quase quatro anos de governo. A declaração foi feita em tom de campanha, no mesmo discurso em que Lula confirmou que pretende disputar a reeleição neste ano.

A fala ocorreu no mesmo dia em que o Brasil recebeu uma notícia que expõe o tamanho da crise fiscal: a dívida pública bruta chegou a 81,1% do PIB em maio, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O percentual representa o maior valor em 5 anos e equivale a aproximadamente R$ 10,6 trilhões. O indicador subiu em relação aos 80,2% registrados em abril e reforça a preocupação com o avanço do endividamento sob o atual governo.

Segundo o presidente, o país está “recuperado” e cresce enquanto parte do mundo enfrenta crises. Lula também afirmou que concorrerá novamente para garantir que o Brasil continue sendo uma democracia.

“Eu, com 80 anos e vitalidade de um jovem de 20, vou concorrer mais uma vez às eleições do meu país”, disse Lula.

O petista acrescentou que disputará a eleição para impedir que “irresponsáveis” governem uma nação de 215 milhões de habitantes. Ele também comparou o momento atual com sua primeira passagem pelo Planalto, dizendo que recebeu o país “destroçado” em 2003 e entregou, em 2010, uma economia crescendo 7,5%.

Apesar do discurso otimista, os números da economia mostram um cenário bem mais delicado. O país convive com inflação acima da meta, juros elevados, aumento da dívida pública e deterioração das contas do governo.

De acordo com os dados do Banco Central, a dívida bruta do governo geral avançou para 81,1% do PIB em maio, o maior patamar em 5 anos, equivalente a cerca de R$ 10,6 trilhões. Desde o início do terceiro mandato de Lula, em janeiro de 2023, o indicador subiu 9,4 pontos percentuais, passando de 71,7% do PIB para o patamar atual.

A alta da dívida é um dos principais sinais de alerta para investidores, empresários e analistas econômicos. Quanto maior o endividamento, maior tende a ser a pressão sobre os juros, sobre o risco fiscal e sobre a capacidade do governo de financiar suas despesas sem comprometer a estabilidade econômica.

Além da dívida bruta, a Dívida Pública Federal também ultrapassou a marca de R$ 9 trilhões, segundo o Tesouro Nacional. O avanço reflete a combinação de gastos elevados, juros altos e necessidade crescente de financiamento do setor público.

As contas públicas também reforçam o contraste com a fala de Lula. O setor público registrou déficit de cerca de R$ 56 bilhões em maio, enquanto o governo central teve rombo de aproximadamente R$ 53,2 bilhões no mês. Em 12 meses, o déficit nominal do setor público chegou a cerca de R$ 1,26 trilhão, pressionado principalmente pela conta de juros e pelo crescimento das despesas.

Outro ponto negativo é a inflação. A projeção do mercado para o IPCA de 2026 está em 5,33%, segundo o Boletim Focus do Banco Central. O número está acima do teto da meta, que é de 4,5%, o que mostra que o custo de vida segue pressionando famílias e empresas.

A taxa básica de juros também pesa contra a narrativa de “melhor momento econômico”. O mercado projeta a Selic em 14% ao fim de 2026, patamar considerado elevado e que encarece crédito, financiamentos, investimentos produtivos e a própria rolagem da dívida pública.

Mesmo a previsão de crescimento, embora tenha melhorado, segue moderada. O Banco Central elevou sua projeção para o PIB de 2026 para cerca de 2%, impulsionada pelo mercado de trabalho forte, pela agropecuária e por medidas de estímulo. Ainda assim, o número está distante de um crescimento excepcional e contrasta com a comparação feita por Lula com 2010, quando o PIB avançou 7,5%.

Na prática, Lula tenta vender a imagem de um país em recuperação econômica e estabilidade democrática. No entanto, os dados fiscais divulgados no mesmo dia mostram que o Brasil segue enfrentando um problema estrutural: o governo gasta muito, a dívida cresce e os juros continuam elevados.

O discurso presidencial reforça a estratégia eleitoral do Planalto de associar a candidatura de Lula à defesa da democracia e à continuidade de sua agenda econômica. O desafio será convencer o eleitor de que o “melhor momento econômico” citado no palanque corresponde à realidade sentida no bolso e aos números das contas públicas.

 

 

Gostou desta notícia?
Participe do nosso grupo no WhatsApp e fique por dentro de todas as novidades!
320 x 100px.png 400x400-Adolescencia.png IRN-campanha-check-up-masculino-blog-do-gustavo-negreiros-mobile-400x400px.gif 626x522px.gif 580X400_BANNER.gif Banner_400x400px.gif BANNERS-GN_317X264_ORATHORIA.gif BANNER_400X400_GUSTAVO.png 96 - FM - depois do post

5 comentários para "Lula diz que Brasil vive “melhor momento econômico”; no mesmo dia, dívida pública chegou aos R$ 10,6 trilhões"

Deixe uma resposta para essa notícia

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

/1000.


Posts relacionados

Anuncie com a gente Documento com valores para anúncio

Mais lidas

  1. 1

    Fifa atualiza ranking de melhores jogadores da Copa após fase de grupos; confira lista

  2. 2

    ‘Noite das astronautas’: Michelle Bolsonaro reposta vídeo com relato de festa de Vorcaro

  3. 3

    OAB/RN abre processo ético contra advogado Daniel Alcides após vídeos de violência

  4. 4

    Morre advogado Herbert Mota, ex-vereador e ex-juiz eleitoral do RN

  5. 5

    Noruega perde titular por lesão antes de duelo contra a Costa do Marfim na Copa

BLOG 360X96.png