Com o prazo legal para o registro das candidaturas se esgotando em 5 de agosto, a definição do vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República segue como uma das principais indefinições da pré-campanha. Entre os nomes cotados, o senador Rogério Marinho (PL-RN) reúne o conjunto de atributos mais consistente para assumir a posição.
Marinho não é um nome de ocasião. Ex-ministro do Desenvolvimento Regional no governo Jair Bolsonaro, ele participou diretamente da articulação da reforma da Previdência, uma das medidas mais complexas e relevantes aprovadas na última década. Essa vivência de gestão pública e de negociação política é justamente o que uma chapa precisa para equilibrar um candidato que ainda constrói repertório nacional.
Diferente de outros nomes cotados, Marinho não precisaria ser apresentado ao eleitorado nem construir relação de confiança com o candidato. Ele já ocupa a coordenação-geral da pré-campanha de Flávio, o que garante sintonia política e afinidade estratégica raramente encontradas em outros pré-candidatos a vice.
Avaliações internas do PL, segundo apurado pela imprensa, apontam que Marinho traria "senioridade e experiência" à chapa, além de capacidade de reaproximar a campanha dos agentes econômicos, um ponto sensível para um projeto presidencial que precisa transmitir segurança fiscal e institucional ao mercado financeiro.
Como senador pelo Rio Grande do Norte, Marinho fortalece a presença da chapa no Nordeste, região historicamente favorável a Lula (PT) e onde o PL busca ganhar competitividade. Isso não pode ser subestimado em um pleito que se decide, em boa parte, na capacidade de cada polo político disputar palmo a palmo os colégios eleitorais tradicionalmente adversos.
É verdade que o PL avalia também nomes femininos, como a vereadora de Fortaleza, Priscila Costa, e a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, para atender à necessidade de ampliar a presença feminina na chapa e cumprir a cota de candidaturas exigida pela legislação eleitoral. O problema é que Priscila tem pouca presença nacional (e nordestina). Daniella Marques, filiada ao Republicanos, que assumiu postura neutra, também não fica sendo opção.