Cinco minutos antes de o voo 2283 da Voepass perder o controle e cair em Vinhedo (SP), o comandante fez uma brincadeira ao ouvir mais um alerta de formação de gelo na cabine. “Esse avião parece aquele Fusquinha, Herbie”, disse ele. Naquele momento, porém, o sistema responsável por remover o gelo das asas já havia apresentado falha.
A notícia é do R7. A sequência faz parte da investigação da Polícia Federal que reconstrói, segundo a segundo, os últimos momentos do ATR-72 que caiu em 9 de agosto de 2024, matando os 62 ocupantes, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes.
A investigação que foi concluída nesta quarta-feira (5) já tem uma coletiva marcada para anunciar mais detalhes da conclusão. O inquérito deve incluir o indiciamento de pessoas ligadas à liberação da aeronave, sua manutenção e à “cultura” da empresa de ignorar procedimentos para manter a operação.
Segundo a perícia, antes dessa fala feita pelo comandante, o avião já havia registrado um alerta de falha no sistema pneumático de degelo. Esse sistema infla as câmaras instaladas nos bordos de ataque das asas e do estabilizador para quebrar o gelo acumulado durante o voo.
Ao identificar o problema, o próprio comandante afirmou: “É o Airframe que deu fault… pelo menos a gente já sabe que tá… [fudido].” O manual da aeronave determina que, diante desse tipo de falha, a tripulação abandone imediatamente a região de formação de gelo e mantenha uma velocidade mínima acrescida. Segundo a Polícia Federal, esses procedimentos não foram executados.