Preservar a mama, reduzir sequelas e oferecer um tratamento adequado às características de cada mulher. Esses foram alguns dos caminhos apontados por especialistas brasileiros e internacionais durante a III Jornada de Mastologia do Rio Grande do Norte, encerrada neste sábado (5), em Natal.
Um dos destaques foi o cirurgião francês Jean Marc Piat, diretor médico do Institut du Sein, em Strasbourg, que apresentou a evolução das técnicas de reconstrução mamária a partir de procedimentos cada vez menos agressivos. Segundo o especialista, os avanços permitiram reduzir o uso de próteses, a retirada de pele e, principalmente, a ressecção muscular — retirada de parte do músculo utilizada em determinadas técnicas de reconstrução da mama.
Entre as técnicas apresentadas está o minidorsal lipoenxertado, que utiliza tecido da própria paciente e permite realizar a reconstrução em um único procedimento, preservando o músculo, sem cicatriz dorsal visível e com recuperação mais rápida.
A cirurgia oncoplástica e a reconstrução mamária também foram discutidas pelo Dr. Darley de Lima Ferreira Filho, mastologista e cirurgião brasileiro, referência nacional na área. Uma das conclusões apresentadas é que, em princípio, todas as mulheres submetidas à mastectomia podem ser candidatas à reconstrução, mas não existe uma técnica única adequada para todas. A escolha deve considerar as características de cada paciente, os riscos do procedimento e a participação da própria mulher na decisão.
Outro tema foi a preservação da fertilidade e a possibilidade de gravidez após o câncer de mama, em discussão conduzida pela Dra. Adriana. O debate reforçou a importância de abordar o futuro reprodutivo das pacientes jovens antes do início de tratamentos que possam comprometer a fertilidade.
Durante os dois dias, a Jornada abordou ainda rastreamento e diagnóstico precoce, avanços nos exames de imagem, redução de cirurgias da mama e da axila em casos selecionados, testes genômicos, novas terapias, menopausa, reposição hormonal, obesidade e uso de medicamentos agonistas do GLP-1.
Para a presidente da Jornada e da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional RN, Dra. Roberta Jales, o encontro mostrou o desafio de acompanhar uma medicina em rápida transformação. “Foram dois dias de muito aprendizado e troca de experiências. Conseguimos reunir grandes especialistas e discutir questões que já estão mudando a nossa prática. O desafio é acompanhar esses avanços e fazer com que o conhecimento se traduza em diagnóstico mais preciso, tratamentos individualizados e mais qualidade de vida para as mulheres”, afirmou.