Em entrevista ao Jornal das 6, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, afirmou categoricamente que o PT promove um aparelhamento criminoso da Polícia Federal, citando como principal evidência a relação de proximidade entre o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o presidente Lula. "O PT de forma criminosa aparelha a máquina pública, inclusive a Polícia Federal", declarou o senador.
Segundo Marinho, a hierarquia institucional prevê que o comando da Polícia Federal seja exercido pelo Ministério da Justiça, mas, na prática, Andrei Rodrigues despacharia diretamente com o Palácio do Planalto. "Você colocou um diretor da Polícia Federal que despacha com o presidente Lula muito mais do que o senhor ministro da Justiça. Essa promiscuidade, eu diria, essa aproximação, ela é no mínimo suspeita", afirmou o senador, questionando se informações sigilosas de investigações em curso poderiam estar sendo compartilhadas com o presidente.
O senador relacionou esse aparelhamento à demora da PF em avançar em investigações sensíveis ao governo, como o caso Lulinha e as citações ao ex-governador Rui Costa e ao ministro Jaques Wagner envolvendo o Crédito Cesta, tema que já era debatido na CPMI do INSS desde o fim do ano passado. "Por isso que a Polícia Federal afirmou, por exemplo, que precisaria de seis a oito meses para fazer um relatório sobre Lulinha. Por isso que o ministro André Mendonça teve que dizer à Polícia Federal: manda para mim o material bruto que eu resolvo. Por isso que delegados foram afastados do caso, porque estavam indo rápido demais", relatou Marinho, ao sustentar que a morosidade seria proposital.
O senador também citou o depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro André Mendonça, no qual o preso no escândalo do Banco Master afirmou ter sido ameaçado dentro do sistema prisional e relatou ter tentado, por três vezes, fechar uma delação que envolveria o núcleo de poder do PT, tentativas que, segundo ele, não avançaram por falta de interesse da própria Polícia Federal. De acordo com Vorcaro, o diretor-geral da corporação teria sido peça central no crescimento do Banco Master, com presença frequente em eventos ao lado do banqueiro.
Marinho fez um paralelo com o episódio em que o governo Bolsonaro tentou nomear o deputado Alexandre Ramagem para o comando da PF, movimento amplamente criticado à época por aliados do PT sob a acusação de tentativa de controle político da corporação. "O que dizer desse atual, do Andrei, que toma whisky, que toma champanhe, que vive no palácio, que conversa com o presidente?", questionou o senador, sugerindo que o padrão de proximidade hoje seria ainda mais grave.
Diante desse cenário, Marinho defendeu que o presidente Lula deveria, por "autocontenção" e "sensibilidade mínima", afastar provisoriamente o diretor-geral da PF, pedido que já formalizou por meio de ofício enviado ao Planalto. O senador reforçou ainda que protocolou notícia-crime na Procuradoria-Geral da República pedindo o afastamento e a prisão do ministro Alexandre de Moraes, encaminhando o documento diretamente ao vice-procurador-geral, e não ao procurador-geral Paulo Gonet, a quem também considera "sob suspeição".