A gente que anda de ônibus fica vulnerável a muita coisa, principalmente a violência da metrópole em que vivemos. E apesar do isolamento social, os criminosos não deixaram de agir e quem mora nas regiões mais afastadas da cidade, como eu, sabe do que estou falando.
Agora por volta das 18h, retornando para casa, exausto e ainda pensando no próximo ônibus a enfrentar, que por sinal ia passar lotado sentido zona Norte, eis que o motorista do coletivo para no ponto para um passageiro bem arrumado, como se estivesse indo trabalhar, subir no transporte.
O que ninguém imaginava é que se tratava de um assalto. Armado com um revólver, ele anunciou o crime e ainda olhou para nós passageiros e disse, "não quero nada de vocês, só o da empresa". Toda cena se passou em uma das ruas mais movimentadas da Cidade da Esperança, a rua areias com avenida Pernambuco.
Eu e os demais passageiros ficamos perplexos, sem acreditar, até um pouco aliviados por não termos nossos pertences conquistados com muito suor levados pelo bandido, que estava só e agiu tão rápido, que parecia já ser experiente no crime.
Porém ficamos angustiados ao ver o funcionário da empresa agoniado, com medo e nervoso, após ser mais uma vítima dos criminosos que agem sem dó e nem piedade contra os trabalhadores da nossa cidade. O motorista ainda nos olhou e disse "acabei de ser assaltado".
Além do mais, mostra que os bandidos pouco se importam com a presença da polícia nas ruas, ou sua ausência. Digo isso, pois a sede do 9° batalhão fica no mesmo bairro e a delagacia poucos metros de onde aconteceu o assalto.
Por final, ônibus parado na frente da rodoviária e viagem encerrada. Agora vamos esperar um pouquinho pelo próximo ônibus e torcer para que nada de ruim nos aconteça. E quanto ao motorista, que ele não seja penalizado, afinal, ele não teve culpa.
Por Kehrle Junior