Relatos de problemas em aeronaves da Voepass Linhas Aéreas são inúmeros no Reclame Aqui, site referência em pesquisa de opinião sobre a qualidade dos serviços prestados por empresas. Somente na plataforma, são 4.151 reclamações ativas contra a empresa responsável pelo avião que caiu em São Paulo, matando 62 pessoas nesta sexta-feira, 10.
A empresa não responde a maioria das criticas dos consumidores. A maioria se queixa da conduta, como entregar bagagens quebradas, cancelar voos sem reembolso, alterar o horário sem informar com antecedência, mas também há relatos de problemas em aeronaves.
Há nove dias, uma pessoa relatou que estava em um voo de Ribeirão Preto para Maceió com escala em São Paulo. Faltando 20 minutos para pousar em SP, o piloto retornou para Ribeirão Preto, alegando que o para-brisa estava quebrado.
Também há muitas queixas de que o ar-condicionado não funciona, submetendo os passageiros a calor extremo durante o voo. "Conversando com os moradores de Noronha, eles só sabem histórias péssimas da Voepass, não voam de jeito nenhum com essa empresa, e agora consigo entender o motivo", registrou outro cliente no Reclame Aqui.
Os mais de 4 mil relatos são acompanhados de comentários como:
"Se você tem amor à sua vida e à vida de sua família, não voe nesta companhia"
"A situação da aeronave estava péssima. Aeronave sem espaço, passageiros não tinham onde colocar as bagagens de mão. Luzes piscando, sem funcionar"
"Avião com odor forte de querosene; assentos sujos e mal cuidados, botão para reclinar a poltrona quebrado, banheiro interditado, 50 minutos de voo e não se podia utilizar o banheiro."
E ainda: "A aeronave aparentava não ter condições de fazer aquela viagem, o ar-condicionado não estava funcionando em solo, diversas poltronas faltando mesas de apoio, travas de segurança demonstravam evidente desgaste e partes quebradas"; "já dentro da aeronave, foi notório que se tratava de um avião velho e com aparência suja. Para dar um exemplo, fui acomodado em uma poltrona com o braço quebrado. O calor estava insuportável dentro do avião."
Um cliente da Voepass questionou como a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) permite que a empresa siga operando. A coluna procurou o órgão regulador do setor para saber quantas multas foram aplicadas à Voepass, mas ainda não obteve resposta.
Desde o acidente, a Anac se limitou a divulgar três notas: uma com três frases lamentando o acidente, assinada pela assessoria de comunicação social; outra informando que "a aeronave e os tripulantes estavam aptos a operar e com a documentação em dia"; e a terceira "alertando a imprensa sobre entrevistas com porta-vozes não oficiais da Anac".
Nenhum diretor da agência reguladora veio a público lamentar o acidente ou se manifestou a respeito nos canais oficiais do órgão regulador. Nem mesmo assinam a nota que lamenta a tragédia.
O relatório mais recente de multas aplicadas pela Anac não inclui a Voepass entre as três empresas mais penalizadas entre 2017 e 2022 (Latam, Avianca e Gol). A Voepass esteve entre as empresas que participaram de uma reunião na Anac em junho para encontrar saídas para "redução da judicialização do setor aéreo".
A Voepass é a empresa aérea mais antiga em operação no país (atua há 29 anos) e ganhou esse nome em 2019; antes, era chamada de Passaredo, que tinha o apelido de "Passamedo" entre seus clientes. A coluna não conseguiu contato com a companhia aérea até o momento.
Andreza Matais - UOL