O Ministério da Saúde (MS) anunciou recentemente a criação de uma Sala de Situação para acompanhar registros de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas. Até o momento, o país conta com 44 casos suspeitos por esse tipo de contaminação, a maioria em São Paulo. Apenas no estado, o número de casos investigados por suspeita de intoxicação por metanol chegou a 41 nesta quinta-feira (2), segundo a Secretaria de Estado da Saúde.
Do total, 11 casos foram confirmados. São Paulo também registra seis mortes suspeitas, sendo quatro em São Bernardo do Campo. Desde segunda, seis estabelecimentos no estado foram interditados cautelarmente pelas vigilâncias sanitárias estadual e dos municípios. Além disso, uma distribuidora e um bar no bairro de Jardins tiveram a inscrição estadual suspensa.
Também foram apreendidas 128 mil garrafas de vodca lacradas em Barueri, na Região Metropolitana, que aguardam apresentação de documentação. Mais 802 garrafas foram apreendidas nesta semana, sendo 660 em distribuidoras e 142 em três bares da capital, como informou o GLOBO.
Outros quatro casos suspeitos de intoxicação por metanol estão sendo investigados em Pernambuco, onde três homens morreram e um perdeu parte da visão. Três deles moravam em Lajedo e um era de João Alfredo, ambos no agreste pernambucano. Nessa quarta-feira, a polícia revelou a suspeita da terceira morte relacionada à contaminação por metanol. O caso não havia sido contabilizado porque o paciente morreu antes de chegar ao hospital que registrou as notificações.
Dados reunidos pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) mostram que a quantidade de fábricas clandestinas de bebidas saltou de 12 para 80 entre 2020 e 2024. Esse aumento representa um crescimento de 566%, segundo consta na edição deste ano do anuário da organização. Somente nos oito primeiros meses de 2025, 185 mil garrafas de bebidas alcoólicas adulteradas foram apreendidas pelas autoridades. A expansão do mercado ilegal está na mira das autoridades policiais após as mortes em São Paulo e Pernambuco.
Os principais sintomas de ingestão de metanol costumam ser dor abdominal, visão adulterada, confusão mental e náusea. Esses sinais podem aparecer entre 12h e 24h após a ingestão da substância altamente tóxica. Diante do crescimento da quantidade de casos, a Associação Brasileira de Bebidas (Abrape) recomenda fazer a compra de bebidas em locais de confiança, desconfiar de preços muito baixos e procurar no lacre o registro do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Com relação aos destilados, é importante ainda verificar o selo do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Se não estiver na embalagem, geralmente próximo à tampa, quer dizer que a bebida não foi fiscalizada pelas autoridades brasileiras. Veja abaixo como identificar se a bebida foi falsificada ou adulterada e se prevenir.
- Tampa - Lacres imperfeitos, borrados ou com vazamentos podem indicar risco. Destilados, como gin, uísque e vodca, precisam trazer o selo do IPI em papel-moeda no topo.
- Volume - Procure comparar garrafas do mesmo rótulo para identificar adulteração, já que o volume segue um padrão.
- Rótulo - Não deve conter erros de grafia, já que o design é de alta qualidade e precisa trazer registro do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
- Garrafa - Embalagens em más condições, com arranhões ou sinais de reutilização merecem desconfiança. Bebidas ilegais também costumam apresentar tampa amassada, cor desbotada ou líquido turvo.
- Preço - Valores muito abaixo da média podem indicar origem incerta. Prefira vendedores de confiança e de boa reputação.