Num condomínio em Natal, 22 apartamentos e uma ilusão coletiva: espírito natalino. Grupo de WhatsApp animado, lista de presença fechada, buffet contratado. R$ 80 por pessoa. Todo mundo feliz, civilizado, quase europeu.
Até aparecer a primeira consciência calórica/financeira.
Uma moradora avisou que tinha feito bariátrica e exigiu desconto. Disse que não comia “como antes”. Abriu-se a porteira. Outro entrou dizendo que no apartamento dele tinha “três pessoas reduzidas”. Um terceiro alegou que estava no Mounjaro e só beliscaria. Teve quem sugerisse pagar por grama ingerida. Faltou só a balança na porta.
A dona do buffet, que não toma Rivotril, surtou. Disse que não fazia a festa nem se fosse o último Natal da humanidade. Cancelou tudo. Espírito natalino foi embora.
O grupo virou território minado. Textão, indireta, áudio longo, ameaça de processo. O Natal foi embora sem se despedir. E foi melhor assim. Imagine essa gente disputando uma coxa de frango como se fosse território na Ucrânia.
Se bariátrica e Mounjaro pagarem menos, o Natal acaba. Simples.
Condomínio é a porta mais próxima do inferno. E no fim do ano, o palco está montado: de um lado, a Faixa de Gaza do Porto Brasil em Pirangi; do outro, o Cortiço da Sociedade Decadente de Muriú. Paz na Terra? Nem um minuto. Os contos chegaram!