Dezembro chegou, aquele clima de contagem regressiva para o veraneio: a luta não é mais contra a balança, é contra o espelho e o espelho anda cruel. As meninas da academia de ricos já entram gritando Hi, loves! como se fossem protagonistas de reality show; suam pouco, postam muito e já deixam engatilhado o próximo aumento da dose de Mounjaro.
O Mounjaro legítimo, claro, custa o olho da cara. Mas Natal é criativa: tem “Mounjaro” que é tudo, menos Mounjaro. Tem o das clínicas suspeitas, o das influenciadoras com CRM imaginário e o mais charmoso: o delivery tipo iFood. O rapaz chega, aplica a injeção dentro do carro, a pessoa acredita piamente no milagre e ainda sai achando que emagreceu ali mesmo, na vaga do estacionamento.
Esse veraneio promete: os homens na Tadalafila, confiantes como se tivessem 22 anos e dorsal de crossfiteiro; as meninas no Mounjaro, secando dobrinhas até onde não existem. O encontro disso? Uma usina nuclear de libido e frustração. De Muriú decadente aos emergentes berrando em Pirangi, teremos capítulos novos para a antropologia potiguar.
As meninas vão desfilar com o look praia Alecrim Premium, vibrando com cada osso que aparece. Os meninos, por sua vez, irão jurar que o “remédio” não dá palpitação, a mentira padrão antes do primeiro gole de Campari. E no meio desse teatro fitness, a vida real: casal brigando porque a dose dela venceu, amigo passando mal porque tomou Mounjaro falsificado e achou que era “efeito rápido”, personal jurando que “tá saudável”, mas aplicando escondido.
O veraneio será lindo: corpos forçados, hormônios cruzados, libido de laboratório. Se o Beach Tennis já dava confusão com gente sem remédio nenhum, imagine agora com a cidade inteira de Mounjaro e Tadalafila. Vai faltar areia, vai sobrar história. Que Deus proteja Pirangi.