Um amigo, liso porém cheio de esperança, estava em uma cafeteria chique de Natal, dessas que vendem um cappuccino de quarenta reais e uma água “com moral”. Sentaram duas gatas na mesa ao lado. A mais bonita começou aquele jogo de olhares que faz qualquer homem achar que está num filme hollywoodiano. Ele ajudou a chamar o garçom, fez pose de gentleman, segurou o tórax para parecer mais forte.
A paquera cresceu. Quando ela pediu a conta, ele foi mais rápido que político fugindo de CPI: pagou o café, a água, o bolo, o Wi-Fi, pagaria até a reforma tributária se pedissem. Na saída, ela entregou o WhatsApp. Pronto. Ele saiu dali achando que tinha vencido o campeonato mundial da sedução.
Uma semana de conversa. Ele completamente entregue, sonhando em pegar a gata, pular o muro do casamento. Ela marcou o encontro. Tudo perfeito.
No dia, ele pegou a gata na porta do prédio. Beijo cinematográfico. Foram direto para o motel, trânsito livre, sem lombada moral. A menina era linda, um postal de verão, cheia de vontade. Tirou a blusa, ele mergulhou nos peitos como quem descobre petróleo no RN.
Na cama, tudo fluía… até que ele notou algo diferente. Um volume estranho na calcinha dela. Uma protuberância meio… inesperada. Ele deu um salto digno de atleta olímpico. Ela, coitada, ficou sem entender nada, só queria continuar a farra.
Ele, branco como quem recebeu boleto do condomínio do Porto Brasil, pediu a conta do motel. Saiu tremendo, traumatizado, ligando para todos os santos.
Moral do conto?
Em Natal, desconfie de esmola grande demais. Até a paquera vem com câmbio variável.