À medida que as mudanças climáticas ganham força em todo o mundo, os dias de temperaturas elevadas se tornam mais comuns. O ano de 2025 começou com uma pequena trégua devido às chuvas, pelo menos no Brasil, mas as próximas semanas de verão não prometem o mesmo alívio – o que suscita maiores cuidados com a saúde.
O básico sempre merece um reforço: crianças e idosos requerem atenção redobrada, devido à maior propensão e sensibilidade ao estresse térmico e a desidratação, mas isso não significa que adultos saudáveis também não precisem se cuidar. A seguir, VEJA levantou sete dicas que servem para todos e podem ajudar a evitar transtornos nos dias de calorão.
Dias de calor exigem mais do corpo, que precisa gastar energia para diminuir a temperatura interna. Nesses casos, o ideal é evitar os alimentos pesados, ricos em gorduras, pois eles demandam mais energia e tendem a aumentar a temperatura do corpo. Uma alimentação mais equilibrada, por outro lado, com abundância de fibras e vegetais ajudam a repor água e nutrientes, sem sobrecarregar o corpo.
Nesses dias, também é importante redobrar o cuidado com as intoxicações alimentares. “As bactérias e outros micro-organismos, principalmente aqueles presentes nos alimentos, se desenvolvem melhor no calor, reduzindo a validade de produtos como frutas e pães”, explica Catarina Angeli Santos, doutoranda em ciência dos alimentos pela Universidade de São Paulo (USP). “Por isso, em dias quentes, recomenda-se armazená-los em locais frescos ou na geladeira para aumentar sua durabilidade.”
A pesquisadora da USP Emília Maria França Lima também alerta para o perigo de deixar sobras de alimentos fora da geladeira por mais de duas horas e para a importância de manter marmitas ou alimentos congelados em embalagens térmicas para evitar a propagação de microrganismos.
Tome cuidado com atividade física
Os exercícios continuam sendo importantes nos dias de calor, mas o hábito precisa ser adaptado para evitar que isso se transforme em dor de cabeça. “Basta evitar os horários de pico de temperatura”, explica Sara Mohrbacher, clínica geral do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
E o motivo para isso é simples: atividades físicas demandam muito do corpo pois aumentam o gasto de energia, elevam as temperaturas e promovem a perda de água e eletrólitos. Portanto, é importante priorizar os horários mais frescos, como no início da manhã, se alimentar bem nos dias de exercícios físicos e estar sempre acompanhado de uma garrafinha de água. Também é importante evitar se exercitar em ambientes externos, com exposição ao sol.
Mantenha a hidratação
O maior perigo do calor é justamente a desidratação, já que, para reduzir as temperaturas corporais, o corpo perde uma grande quantidade de água. “Quando há uma perda excessiva de água e eletrólitos, maior que a ingestão, nosso corpo entra em desequilíbrio osmótico, conhecido por desidratação”, diz Paulo Henrique Evangelista-Silva, doutorando em Fisiologia e Farmacologia no Instituto de Ciências Biomédicas da USP. “A desidratação, se suficientemente grave, prejudica o desempenho físico e mental, com decréscimos de desempenho maiores em ambientes quentes e em exercícios de longa duração.”
Não é necessário desespero. Beber água várias vezes ao dia, sem exageros, será suficiente. Caso precise de uma comprovação disso, a urina pode ser um bom termômetro disso: ela deve estar sempre clara e ocorrer em vários momentos do dia.
E a alimentação também pode ser uma aliada. “O teor de água nos alimentos varia bastante, sendo superior a 80% na maioria das sopas, frutas e vegetais”, diz a nutricionista Camille Perella Coutinho. “Além disso, todas as bebidas contribuem para a ingestão de água, como café, chás e sucos, desde que observada a composição para evitar o consumo excessivo de açúcares.”
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