Terça-feira de Carnaval, saideira da festa carioca, foliãs reclamam que abordagem masculina nos blocos deste ano segue ruim em cantadas e pior ainda em assédio.
Evadindo do bloco 'Largo do Machado mas não largo do copo', no Catete, Thaissa Costa, 28, afirma que os assédios deram uma diminuída em relação a uns três anos atrás, mas as cantadas têm sido horríveis.
"A depender da fantasia, chegam falando 'aí minha anjinha', 'aí diabinha'. Eu logo já pego e falo que só beijo mulheres ou que sou casada e, num geral, eles desistem depois disso."
Todavia a melhora pro lado dela, um grupo de universitárias entre 18 e 19 anos de idade que circulava pela mesma região já têm uma experiência completamente diferente.
Maria Fernanda, 19, relata o pesadelo de ter recebido uma lambida na cara por um completo desconhecido de supetão em um bloco no meio do Centro carioca.
"O assédio segue horrível", reclama.
Sua amiga, Maria Clara, 18, concorda, mas pondera que depende de bloco para bloco, de lugar para lugar. "Os cortejos são muito mais de boa que os blocos de trio elétrico. A verdade é que blocos no Centro são muito piores", analisa.
Elas acreditam que quem curte festa matinal costuma ser mais respeitoso do que quem sai depois das 15h. "Quem vai cedo é porque gosta de Carnaval mesmo, quem sai tarde parece que tá desesperado e assedia", conclui Julia Freitas, 19.
Elas concordam que a aparência de mais nova costuma aumentar a incidência de investidas não desejadas em relação às mulheres mais velhas e reclamam de abordagem de homens mais velhos em blocos lotados.
"Tem gente que chega puxando o cabelo, metendo beijo no rosto do nada", reclama Julia Freitas.
Folha de São Paulo