Veja abaixo o desabafo de um familiar da criança feita refém em escola de Natal na semana passada.
Caros pais, amigos e familiares,
Ontem, infelizmente, vivemos um episódio muito delicado na escola, envolvendo minha filha. Um homem em surto, com sinais de transtorno mental, fugiu de um hospital psiquiátrico e conseguiu entrar no colégio onde as crianças estudam. Em pânico e sem intenção clara de machucar alguém, ele acabou encontrando minha filha sozinha, pegando seu material após o fim das aulas, e a agarrou em uma tentativa desesperada de se proteger dos seguranças, dizendo que não queria voltar para o local de onde havia fugido.
Durante toda a situação, que durou entre 40 minutos e 1 hora, a equipe da escola agiu com empenho e responsabilidade,
tentando acalmá-lo e garantir a segurança de todos. A polícia foi acionada e chegou rapidamente, colaborando para conter o episódio. No entanto, o homem só libertou minha filha com a chegada de sua companheira, que conseguiu convencê-lo a soltá-la.
Por razões que só Deus pode explicar, naquele dia, fora da rotina, fui eu quem buscou as crianças na escola, normalmente, nesse dia è meu vizinho. Quando cheguei e não encontrei ela, fui chamada pela coordenação, que me informou, com muita
sensibilidade, o que estava acontecendo naquele momento. Pedi permissão para me aproximar do local e ali, em silêncio, fiz minhas orações. Pedi proteção espiritual aos nossos guias e me entreguei à fé, acreditando, com todo o meu coração, que nada de ruim aconteceria à minha filha. E assim foi. Pouco depois, com a chegada da esposa do homem, ele a libertou.
Esse episódio nos faz refletir sobre o quanto estamos vulneráveis em uma sociedade adoecida, marcada pela ausência de
cuidados com a saúde mental. Já não existem lugares 100% seguros. Precisamos estar atentos, conscientes e presentes, não
apenas fisicamente, mas também emocionalmente, na vida de nossos filhos. Ao mesmo tempo, não podemos permitir que o medo tome conta de tudo. É necessário seguir em frente com fé, equilíbrio e esperança de que ainda é possível construir um mundo mais amoroso, mais atento ao outro e mais seguro, especialmente para nossas crianças.
Gostaria de compartilhar essa visão com vocês, pais e responsáveis. O que vivenciamos foi um caso isolado, reflexo de uma sociedade adoecida emocional e socialmente. A equipe da escola demonstrou preparo, agilidade e sensibilidade, protegendo os alunos e evitando que o pânico se instalasse. Registro aqui meu sincero agradecimento à direção, professores, funcionários e policiais que agiram com coragem, empatia e profissionalismo. A atuação humana da equipe fez toda a diferença para garantir a segurança e o acolhimento de nossas crianças.
É essencial que estejamos atentos às reações emocionais dos alunos. O apoio psicológico e o espaço para escuta são
fundamentais para que esse episódio não deixe marcas. Devemos cuidar não apenas da segurança física, mas também da saúde mental de todos os envolvidos. É importante lembrar que, infelizmente, muitos episódios de violência em escolas, no Brasil e no mundo, são protagonizados por pessoas comuns, ex-alunos, conhecidos da comunidade, com rostos familiares. Por isso, o cuidado deve ser coletivo.
Tivemos muita sorte no ocorrido. E é justamente por sabermos que vivemos tempos difíceis que não podemos permitir que o medo e o caos determinem nosso modo de viver e de educar. Desejo profundamente que minha filha e todas as crianças, possam crescer em um ambiente de confiança, diálogo e equilíbrio. Não quero um sistema baseado em paranoia, mas sim em humanidade e bom senso.