Era uma vez um morango. Não um qualquer, era O Morango do Amor. Vermelho, lustroso, envolto a um brigadeiro branco, coberto de armadura de açúcar derretido. A cada mordida, um misto de romance e canal de cárie. Mas eis que surgem os vilões da história: os dentistas.
Segundo a classe dos jalecos brancos, esse docinho é o Satanás em forma de sobremesa. Alega-se que a calda gruda mais que promessa de político em véspera de eleição. “Destrói o esmalte, entope canal, vira ponte para bactéria”, denunciam com a fúria de quem já cansou de arrancar molares em nome do amor.
Como se não bastasse, os nutricionistas também se juntaram ao motim. A crítica? Hipocrisia calórica. “O morango é fitness”, dizem. “Mas não depois de tomar banho de açúcar e virar um obelisco glicêmico.” Dá até para imaginar um desses profissionais olhando torto para a criança na fila da Dasmelo com o doce na mão, como quem flagra um deputado em Dubai com o cartão corporativo da viúva.
No fim das contas, o morango do amor virou símbolo de resistência contra o mundo fit. Dentistas dizem odiar, nutricionistas o acusam, mas o povo… o povo segue mordendo com gosto. O que seria dos dentistas se não existissem cáries? Como ficariam os nutricionistas sem os gordinhos? O Morango do Amor quebrou a chatisse das dietas, chutou o pau da barraca, deu alegria as mulheres e rapazes sarados que usam barbas.