Ser rico em Natal é mais conceito do que saldo bancário. A primeira providência é financiar um Volvo ou Mercedes, de preferência híbrido, para postar foto carregando no Midway. O segundo passo é garantir um ponto no veraneio no Porto Brasil, nem que seja como inquilino da Faixa de Gaza do Villa Imperial. Vale pagar 30 mil para passar o mês fingindo que é proprietário.
Depois vem o ritual social: sentar na varanda do Buongustaio como se fosse acionista de uma grande empresa, de óculos escuros e um vinho de rótulo que você não sabe pronunciar. Não importa se vai parcelar no cartão preto com limite estourado, só não pode pagar em cartão de débito amarelinho do Banco do Brasil. Ser aluno da BT Tirol para a turma decadente ou fazer a matrícula naquela academia perto do Nordestão para os que estão em ascensão.
O rico natalense não toma cerveja na praia, é vinho branco no copo Stanley falsificado. Não pisa na areia, circula de casa em casa como se fosse inspeção de obra à procura de godelar bebida e comida. O veraneio é palco: os lisos do Villa Imperial fazem figuração, os donos do Porto Brasil são os protagonistas. Os decadentes fingem que Muriú é bom.
E a cena se repete todo ano, com novos atores e a mesma história: a comédia humana de um litoral que transforma prestação e pose em status social.