O natalense acha que é feito de açúcar: se molhar, derrete. Cai uma garoa e ele já confunde água com frio polar. É a deixa para tirar do guarda-roupa o casaco mofado herdado da excursão a Gramado de 2008. Outros optam por moletom e camisa de gola alta, como se fossem enfrentar um inverno europeu.
As meninas da BT Tirol e da academia vizinha ao Nordestão encaram o dia como Fashion Week: calça, camisa e jaqueta, tudo Track & Field ou Beat.co, como se fossem direto para o escritório da Vogue. ALO nem pensar, não dá pra bancar três peças no dólar atual.
As crianças, coitadas, saem para a escola parecendo que vão esquiar em Bariloche. E quando o natalense coloca o pé na rua, percebe que precisava era de lancha ou jetski para atravessar certas avenidas. Eu, particularmente, tenho vontade de sair de capacete, porque árvore centenária com cupim é igual político corrupto do PT: pode cair a qualquer momento.
O drama é que, perto das 10h, o sol aparece, a temperatura dispara para os 30 graus e todo mundo começa a cozinhar dentro da própria roupa. O cheiro no ar muda: uma mistura de sovaco suado com mofo de armário. Um bom enólogo descreveria como “notas de cebola e alho, com final persistente e encorpado”. Só os perfumes da NASA de Currais Novos para melhorar a catinga.
Natal em dia de chuva é isso: desfile de moda, enchente, sauna e degustação olfativa, tudo no mesmo pacote.