Ser divorciada em Natal aos 40 anos é quase esporte radical. O mercado de homens parece o Alecrim num domingo à noite: deserto. Os solteiros que ainda restam estão ocupados no Crossfit, testando a força um do outro, ou segurando raquete no Beach Tennis, mais interessados nos shorts colados dos colegas do que em qualquer fruta madura. Os que ainda prestariam já estão casados e mal casados, diga-se de passagem.
As opções são limitadas: arrochar um boy de 25 com hormônio fervendo, que confunde motel com after, ou cair nos braços de um velho da lancha, que oferece “tranquilidade sexual” (leia-se: nada de ação) e um pix salvador no fim do mês. A equação é cruel, mas verdadeira.
E não se engane: a natalense divorciada de 40 não é qualquer uma. Ela já passou por uma lipo, já trocou silicone uma vez e está planejando plástica de barriga como quem agenda revisão de carro. Escolher cirurgião é status: se não tiver grife, não vale. Falar o nome do médico na roda das amigas é mais importante do que revelar o amante secreto.
No fundo, a vida dessa faixa etária é um eterno revezamento entre clínica estética, BT Tirol, e consultas com terapeuta para fingir que ainda existe “mercado”. O drama é que, no fim do dia, a solidão aperta mais que cinta modeladora.
E enquanto isso, os meninos de 20 seguem no after, os homens de 40 viram metrossexuais sensíveis e os de 60 tomam sopinha às 18h. O que sobra? A vida real. O resto é harmonização facial.