Morar em condomínio é viver dentro de um inferninho com porteiro eletrônico. Nada pior que som alto e vizinho de péssimo gosto musical, sempre tem um que acha que a playlist de piseiro ou sofrência é obra-prima universal. A parede treme e você descobre, sem querer, que a fossa da Anitta virou trilha sonora da sua insônia.
Não bastasse isso, tem os apartamentos em eterna reforma. Martelo, maquita, serra elétrica, parece que a vizinhança inteira se inscreveu no curso “Pedreiro por um dia”. O barulho começa às 7h e termina quando o último vizinho resolve testar a furadeira na parede da sala.
O cachorro que late o dia todo, é um figurante de todos os condomínios. Tem sempre um coitado que late como se fosse alarme, mas ninguém vai lá calar o bicho porque o dono é “sensível”. Já as brigas de vizinho são outro show: casal que discute tão alto que até a síndica precisa tomar Rivotril.
No grupo de WhatsApp, então, é a hipocrisia em estado bruto: vizinho que atrasa taxa de condomínio é o mesmo que pede reforma da piscina, cobra instalação de câmeras e aumento de segurança. Tem demandas como se fosse dono do Porto Brasil, mas paga como morador do Villa Imperial, na Faixa de Gaza.
Dois exemplos resumem o caos coletivo dos condomínios: a Faixa de Gaza no Porto Brasil, onde os emergentes se digladiam para parecer ricos, e no Cortiço da Sociedade Decadente de Muriu, onde o luxo vencido, cheiro de mofo, muito Campari no copo Stanley falsificado reinam.
No fim, condomínio é isso: um zoológico humano onde a maior briga não é por paz, mas por quem faz mais barulho. E sempre vence o mais cafona.