Em Natal, não basta a bolsa Hermès de camelô nem o perfume Delina fabricado em Currais Novos. A moda agora são as falsas profissões. É um desfile de doutores, delegados e empresários de araque. Parente de juiz acha que é quase excelência, sobrinho de vereador já se apresenta como autoridade, primo de promotor distribui bom dia como se fosse despacho oficial.
Outro dia teve acidente no trânsito. Dois carros batem, nada grave, mas cada motorista se achava dono da lei. Um soltou a carteirada verbal: “Sou autoridade!”. O outro sacou uns documentos plastificados, cheios de brasão dourado de gráfica rápida. Clima de prisão anunciada. O detalhe: um dos “doutores” não tinha a tal carteira funcional. Era só bravata de WhatsApp.
A cena terminou em quase prisão por falsidade ideológica, celular filmando e cada um ameaçando ligar “pra turma lá de cima”. A polícia, quando chegou, quase riu. Descobriu que ali não tinha juiz. O poder do "juíz" era igual ao do Flávio Dino com a Lei Magnitsky.
Em Natal, tudo pode ser falso: do relógio Patek comprado no Alecrim até a toga que nunca foi vestida. O resto é só pose pra Instagram e carteirada sem validade.