Em Natal, academia não é mais lugar de treino. Virou shopping popular climatizado, só que com cheiro de suor e whey vencido. Você entra para pedalar e sai oferecendo top de “marca”, marmita congelada e suplemento fiado. O leg press divide espaço com o comércio de muamba: cada série, uma oferta.
A parte da comida é um escárnio: pastel de feira ao lado de bolo fit de batata-doce. A dieta morre ali, entre uma barra de proteína e uma coxinha com catupiry.
Só que o filé do mercado paralelo está na farmácia improvisada. O mounjaro corre solto como se fosse Trident, dividem doses das canetas. Os anabolizantes são vendidos como se fossem creatina, na base da confiança e do sigilo.
Até os doutores entraram no esquema. Tem médico fazendo panfletagem disfarçada de orientação, advogado rodando na esteira e distribuindo cartão de visita. A academia é o novo fórum, o novo consultório e, claro, a nova feira de muamba.
E como em toda feira, não falta calote. O caso mais famoso é o da BT Tirol: uma influencer pegou um presente para o namorado com colega de treino, fiado. Nunca pagou. A colega ficou com a conta e a raiva. O namoro da influencer acabou, agora que não vai pagar.
Academia em Natal é isso: muito colágeno hidrolisado na foto, muito marketing no espelho, mas quem fica hipertrofiado mesmo é o Serasa.