Em Natal até para malhar precisa de energia extra. Não é suplemento, é tomada. A BodyTech do Natal Shopping virou palco da guerra mais silenciosa e ridícula da cidade: a fila dos carros elétricos.
O sujeito paga uma fortuna de mensalidade, vai suar na esteira, mas a verdadeira maratona começa no G2. Só existem duas vagas com carregador. Resultado: quatro da manhã já tem fila de Dolphin Mini, Haval GT e até o famoso Dolphin azul, tudo para disputar 220 volts de status.
Teve aluna que chegou de madrugada, encontrou um carregador quebrado e o outro ocupado desde a noite anterior. Quase chamou o BOPE. O gerente da academia teve que intervir. Pior do que briga de bike é a gritaria por causa de uma tomada. Falta a leveza das meninas da dança da BT Tirol.
O improviso virou regra: carro parado fora da vaga, portinhola aberta, esperando a piedade de algum vizinho plugar. Grupos de WhatsApp foram criados só para organizar rodízio de recarga. O treino virou detalhe, a prioridade é não ficar a pé na volta. Compram o carro e não tem dinheiro para instalar o carregador em casa.
E a contradição salta aos olhos: as meninas sobem de bolsa Hermès falsificada comprada na 25 de Março. Os rapazes injetam hormônio caro como se fosse whey, mas falta coragem (ou dinheiro) para pagar cinco reais de energia. O luxo é sempre de fachada.
No fim, o cenário é um retrato perfeito: a busca por modernidade colide com a mania de economizar até em centavos. A BT prometia músculos e saúde, mas entregou a Faixa de Gaza das tomadas.
A BT do Natal Shopping é o ambiente que tem mais devedores por metro quadrado em Natal, porém os carros são elétricos.