O Villa Imperial, na famigerada Faixa de Gaza do Porto Brasil, virou plano de sobrevivência. Os lisos já sonham em alugar seus muquifos e receber o PIX gordo para pagar os boletos atrasados. Do outro lado, os novos ricos, que até ontem estavam desfilando na praia do Forte, fazem fila para alugar uma quitinete mofada e fingir que também têm pé na areia.
Os atrevidos, que são os donos, estão numa tristeza só: vão ter que dar uma mão de cal no apê antes de entregar para o inquilino. É a elite periférica em ação, gente que compra sofá da Mula Preta para esconder infiltração da parede.
Enquanto isso, quem já cansou da confusão de Pirangi, aqueles que são ricos de verdade estão vazando para Búzios. Lá não é só casa de praia, é palacete de revista. E como se luxo pouco fosse bobagem, quatro milionários já planejam construir um trem de cremalheira particular para levar direto do condomínio até a areia. Rico não atravessa calçamento, rico desliza nos trilhos da ostentação. É a turma que não sabe o que é um boleto atrasado.
No fim, o Porto Brasil continua sendo a Disneylândia do verão potiguar: os lisos pagam para sonhar, os emergentes se endividam para aparecer, e os milionários… esses já estão construindo a própria ferrovia para não se misturar.
A turma do Villa Imperial (depois da Faixa de Gaza) tirou a exclusividade do Porto Brasil. Isso tem causado o deslocamento para Búzios. Rico não gosta de conviver com pobres.