A vida dessa mãe é uma maratona… de academia e fofoca. Sai cedo de casa, já no uniforme oficial: legging colada, top colorido, tênis importado e cara de “vida difícil”. Deixa o filho no colégio para ricos, o bebê, que já tem 15 anos, e vai direto treinar. Antes, ostentava na BT Tirol ou aquela academia vizinha ao Nordestão. Agora sonha com o paraíso prometido: a academia dos milionários em Lagoa Nova.
Depois do suposto treino, começa o circuito: café no bistrô caro, manicure, depilação, cabeleireiro, psicólogo, médico (de preferência três no mesmo dia, porque a saúde dela é um colapso constante). É capaz de quebrar qualquer plano de saúde. E sempre com roupa de academia, claro. Conseguiu dois conjuntinhos da Alo em dez parcelas no cartão do marido e nunca mais tirou. Guardou os outros conjuntos da Beat.co e Track & Field.
Mas o verdadeiro treino é no WhatsApp. Grupo das mães, subgrupo das mães e o subgrupo do subgrupo para falar mal das que ficaram no grupo anterior. É tanta fofoca que dava para abrir uma editoria exclusiva no Léo Dias.
Nas viagens do colégio, o drama: o filho queria ir com os amigos, mas ela não deixou. Foi junto, levou o marido e transformou a excursão em uma lua de mel forçada. O menino quase pediu emancipação judicial.
À tarde, lá está ela de novo no colégio. Roupa de academia, óculos escuros e vários acessórios. Reclama de professores, questiona coordenadores, discute com a psicopedagoga. Grita que “o ambiente não é adequado ao desenvolvimento cognitivo do bebê”. O bebê, repito: 15 anos.
Nos jogos escolares, o espetáculo é garantido: ela briga, xinga outras mães, corre atrás de juiz, passa gelol na panturrilha do filho e tira foto como se fosse fisioterapeuta da seleção brasileira. Sempre descabelada, mas de legging.
No fim da tarde, encontro com o time de sempre: outras mães sem profissão, todas de roupa de academia, falando mal das ausentes. As mesmas que vão dizer no Instagram que “ser mãe é missão divina”.
De noite, o marido chega cansado do trabalho. Ela reclama que está estressada, que não aguenta mais essa vida dura. Toma dois Rivotril e dorme… de roupa de academia.
Se você não se encaixou em nada disso, parabéns. Não precisa vestir a carapuça e nem a legging.