Em Natal, a fauna mais estudada não é a do Parque das Dunas, mas a das mães de colégio. Tenho pesquisas diárias no Cei e no Marista. Ali a guerra não é por nota, é por status de maternidade.
As mães full time transformaram a escola em extensão da sala de estar. Elas tomam café na cantina em pequenos grupos de terapia ocupacional (leia-se fofoca), outras perambulam pelo corredor como se fossem síndicas. No Marista, contam-se quase 80 mães fixas, de ponto batido, que diariamente se revezam para conversar com coordenadores, psicólogos e professores, cuidando dos seus “bebês” de 15 anos. Querem transformar o Maristão em casa de acolhimento.
Do outro lado, as mães ausentes. Trabalham, não brigam em grupo de WhatsApp, não sabem qual foi a terceira questão da prova de geografia, muito menos ligam para o professor de biologia. Dão autonomia, deixam o filho errar, tropeçar, virar gente.
Em qualquer das espécies, sobra o marido. O pobre coitado casado com mãe full time está condenado. À noite ela chega esgotada, não pela academia, mas pelas teorias conspiratórias do grupo de mães. Desconta nele, acusa de olhar para vizinha, cria novela sem autor. Já a mãe ausente, quando chega, quer sossego, vinho e Netflix. O drama é o mesmo: no fim do dia, todo mundo paga o preço da educação de bebês de barba.