A Arca de Noé dos ex-alunos daquela academia vizinha ao Nordestão está à deriva. Os ricos já tinham preparado até a cueca nova para estrear na academia da elite, mas a inauguração foi adiada. Um e-mail dominical, quase meia-noite, caiu como uma bomba: nada de abrir na segunda. O sonho de malhar ao lado do seleto clube da elite natalense virou calote emocional.
Teve amiga que passou o domingo no salão, fez escova, alinhou sobrancelha e até comprou whey importado. Tudo em vão. Ficaram com a frustração engarrafada na adega do apê. O batizado da academia virou missa de sétimo dia antes mesmo da estreia. Frustração total.
Enquanto isso, a academia vizinha ao Nordestão reagiu. De domingo pra segunda brotaram esteiras novas, tão modernas que andam sozinhas, perfeito para o aluno preguiçoso que já fica suado só de pensar em correr. O lugar, que até semana passada parecia o piscinão de Ramos em dia de feriado, agora tem cara de deserto. Até o sovaco azedo sumiu junto com a turma rica na Arca de Noé.
Na BT Tirol, nada muda. As máquinas continuam parecendo peças roubadas da tumba de Tutancâmon. Ferrugem para todo lado, antitetânica obrigatória. Os pobres coitados fazem careta, mas sabem que dali não saem. Quem não tem bala na conta vai continuar malhando com aparelho do tempo das pirâmides do Egito.
No fundo, o mundo fitness de Natal se divide em três reinos: os frustrados da academia dos ricos, os reativos do Nordestão e os resignados da BT. É o apocalipse anunciado da malhação potiguar.