Cheguei cedo, uma hora antes, como manda o figurino do “grande atleta” da Meia Maratona do Sol. Mas não se engane, eu era do grupo vermelho, o da turma lenta, quase um bloco de carnaval fora de época. Minha meta era clara: não correr. Só caminhar e repetir o tempo do ano passado, 1h04.
A largada no Arena das Dunas arrepia. Estádio de Copa do Mundo, você lá dentro, se sentindo craque, mas na verdade só mais um maratonista de celular na mão. Todo mundo aquecendo o dedo, não a perna. Selfie pra cá, boomerang pra lá. Mais parecia a concentração do Carnatal, só faltou a cerveja.
No percurso tinha música ao vivo, água, banheiro e gente torcendo. Um clima de festa. Só que a festa não era minha: pé doía, perna ardia, coluna gritava. Pé fino sofre, queima, mas a meta era completar. Enquanto isso, tinha atleta parecendo astronauta de tanto equipamento. Estavam estranhamente felizes.
Claro, reparei também: 5 km é o paraíso da mulher bonita. Um desfile paralelo à corrida. Mas eu só pensava em terminar. Entrar no Arena de novo é emocionante, parecia final de olimpíada. O povo vibrava. Eu vibrava pensando no Major Burges, no sanduíche de filé, e depois na Dasmelo pra repor o açúcar. Fiz em assustador 1h02. Recorde!
Esse é o resumo da Meia do Sol: suor, dor, organização e muita foto. No fim, vitória não é medalha. Vitória é chegar vivo ao sanduíche.