Natal agora tem um novo termômetro social: não é mais o Beach Tennis, não é mais a bolsa da Shopee, é o patinete elétrico. O brinquedinho invadiu praia, motel e até fila de drive-thru. Mas tem um detalhe muito cruel: na academia nova dos super ricos é proibido chegar de patinete. Aliás, até de Compass não entra. Para fazer matrícula precisa de carro acima de R$ 300 mil, senão já pode dar meia-volta. Eles abriram com muito luxo, mas ainda faltam os alunos.
Do lado de fora da academia, uma passarela de SUVs importados, Volvo elétrico, Porsche. É a seleção natural da renda: quem não tem IR alto, não malha ali.
Enquanto isso, na BT Tirol, a frota é outra: se fosse por critério de tecnologia, só entrava fusquinha. E se fosse por transporte alternativo, carrinho de rolimã. O patinete elétrico em relação aos equipamentos da BT é igual a uma nave espacial, muito tecnológico.
Já na academia perto do Nordestão, o lema virou “reagir”. Cheiro bom, máquinas novas, menos muvuca. A debandada para o “paraíso” fez bem. Parece até que, ironicamente, os lisos ficaram com o ar mais puro. Todo mundo chega com seu carrinho financiado em 50 meses, suas roupas da Track & Field no máximo Beat Co. E, claro, patinete elétrico.
No fim, em Natal até para suar tem hierarquia. Uns chegam de Porsche para levantar 10kg, outros de patinete para correr na esteira nova. Os coitados do decadente Tirol de rolimã. Democracia só mesmo na catinga: essa, todo mundo compartilha. Pessoal, vamos tomar banho antes de malhar e usar desodorante.