A academia dos ricos é top. Estrutura de cinema, piso brilhando, cheiro de shopping. Padrão milionário. Primeira semana e o povo não para de falar. Tenho pessoas infiltradas lá dentro.
Primeiro, a tal “atenção personalizada”. No início parece carinho, mas depois vira algo noiado. De instante em instante, alguém vem perguntar se está tudo bem, se precisa de algo. É muito louco, mas tem gente reclamando de um tratamento excessivamente bom.
O público é outro show. Nada de raiz, de suor. Ali é competição de estética. Uma amiga disse que um rapaz bonito estava olhando para ela. No primeiro momento, ela pensou que o sujeito estava admirando a beleza dela. Engano. Ele queria na verdade o glúteo dele maior que o dela. Os meninos querem forma melhores que as meninas. É a guerra dos bumbuns.
Na cantina, a facada gourmet. Pão torrado, carne de sol picada e lascas de queijo por cima: R$ 38. É caro? É! Mas qualidade é isso mesmo, são 12 páginas de cardápio elaborado, parece uma enciclopédia gastronômica. Só não tem o velho pão com ovo.
Claro, tem muitos mimos. No banheiro feminino, salão exclusivo pra escova, incluso na mensalidade. Luxo de novela. As meninas saem prontas para o trabalho. Um amigo meu reclamou que queria também um cabelereiro no banheiro masculino, quer fazer escova todos os dias e pranchinha antes do trabalho.
Recebi duas denúncias, tinha um HB-20 e um Fastback parados no estacionamento. Perguntei aos denunciantes qual o problema? Ambos responderam que não são carros de ricos. Eita mundo doido.
Isso é outro planeta, quem é acostumado com a BT Tirol com todas as máquinas Eliptico com os visores quebrados, na academia dos ricos é o paraíso. O problema que a turma que foi pra lá daquela academia perto do Nordestão está com banzo da muvuca.