Policiais penais faziram um alerta importante no Setembro Amarelo.
Leia a íntegra:
Setembro Amarelo: um grito de alerta dos Policiais Penais
Vivemos tempos de profunda fragilização e desestruturação no sistema prisional do Rio Grande do Norte. Nossa Polícia Penal, que nasceu para garantir a ordem e a segurança da sociedade, hoje agoniza diante de uma gestão que não consegue compreender a dimensão da crise em curso.
Policiais Penais estão adoecendo. Colegas sofrem com burnout, depressão, ansiedade e outros problemas psicológicos. A cada dia aumenta o número de profissionais desmotivados, inseguros e com medo. O assédio e a perseguição velada dentro da própria Secretaria de Administração Penitenciária resvalam em todas as unidades, criando um ambiente tóxico, que mina a saúde mental e a dignidade daqueles que deveriam ser valorizados como pilares do sistema de justiça criminal.
O crime organizado percebeu essa fragilidade. Enquanto somos impedidos de agir com rigor, dentro dos limites da lei, pela ameaça constante de sermos encaminhados à Corregedoria, as facções se aproveitam. O resultado é o que já se anuncia: mortes, quebra de procedimentos de segurança e insegurança institucional.
A indignação da categoria é quase unânime. O sentimento é de abandono. Além da precarização do trabalho, a recente aprovação de um projeto de lei repleto de vícios reduziu a remuneração de diretores, auxiliares e chefes de setor em cerca de 40%. Muitos já entregaram seus cargos — e outros seguirão o mesmo caminho — porque não se pode exigir tamanho nível de responsabilidade em troca de desvalorização e desprezo. Para completar, a absurda proposta de que diretores supram suas perdas financeiras com diárias em presídios gerou revolta generalizada.
A sociedade potiguar precisa saber: o sistema prisional caminha para o colapso. O trabalho reconhecido desde 2017 está sendo desfeito, e o caos institucional que hoje vivemos foi há muito tempo denunciado pelo sindicato da categoria. Se providências urgentes não forem tomadas pelas autoridades competentes, corremos o risco de ver se repetir — ou até superar — a tragédia de 2017.
Em pleno Setembro Amarelo, quando lembramos da importância da vida e da saúde mental, os Policiais Penais pedem socorro. Não apenas por nós, mas por toda a sociedade, que precisa de um sistema prisional forte, estruturado e capaz de enfrentar o crime organizado.