Um amigo empresário de Natal, gordo, sedentário e hipocondríaco, começou a emagrecer sem saber o motivo. Dos 120 quilos que exibia com orgulho de rodízio, perdeu 8 no primeiro mês. No segundo, mais 7. O apetite sumiu, enjoo todo dia, cara de quem tinha sentença marcada. Jurava: era câncer.
Foi médico em cima de médico, exame em cima de exame. Tomografia, ressonância, endoscopia, só faltou chamar padre para extrema-unção. Nada fechava. Enquanto isso, mais de 20 quilos foram embora. O silêncio aumentava a angústia. Não contava a ninguém, vivia enterrado na própria paranoia.
Até que um dia, sem forças, reuniu a família e anunciou entre lágrimas: “estou morrendo”, acho que tenho um câncer e estou perdendo muito peso. A esposa, sem piscar, confessou: uma vez por semana aplicava Mounjaro na barriga dele escondido, enquanto ele dormia.
Ele não sabia se agradecia ajoelhado ou se partia para o divórcio. Virou magro à força, cobaia conjugal. A sorte que ela aplicou Mounjaro e não um par de chifres.