Pirangi é onde as coisas acontecem. No dia 10 teve a corrida da Hilife, a academia dos ricos. Corrida de gente bonita. Nada de sofrimento. Só meninas lindas, looks perfeitos, zero suor existencial. Os homens? Barba bem desenhada, espelho como confidente e ego em alta rotação.
Enquanto isso, na Faixa de Gaza, a comunidade se reuniu para assistir ao Bandigalado. Muito rock. A turma pobre do Porto Brasil em êxtase. Um amigo que tem casa lá, na ala rica, resumiu o clima: “Meu sonho é aumentar o muro”. Inclusão social é bonita até a aproximação. Dizem que o Bandigalado é o grafitão da Faixa de Gaza.
Pirangi, porém, só fala em dois chifres na alta sociedade de Natal. Gente famosa. Um caso com desfalque financeiro. Outro envolvendo membros da mesma família. Libido em alta, ética em baixa. O verão virou novela das oito sem censura.
No Porto Brasil, tem agora o aliciamento de diaristas. Tem uma senhora que não tem secretária, ela vai para portaria do condomínio, as diaristas que estão entrando ela oferece mais dinheiro para passar o dia na sua casa. Leilão, uma espécie de sequestro relâmpago de mão de obra. Viva o capital.
A gente observa tudo de longe, no Cortiço da Sociedade Decadente. Se Pirangi é glamour, em Muriú só se fala em falta de crédito, calotes e trambiques. Aqui não tem chifre, tem boleto.
Meu sonho? Ir para o Porto Brasil, no inferninho da Faixa de Gaza. Fazer uma imersão na pobreza gourmet. Porque no fim das contas, dublê de rico é animado.