Pirangi segue sendo aquele caos organizado. Gente por cima de gente, calor, trânsito, barulho e zero planejamento. Mas o importante é estar lá. Ser visto. Pertencer à muvuca. Quem some, vira assunto.
Um amigo me ligou orgulhoso: “Mudei de vida”. Saiu do Águas de Tabatinga (conhecido como o Piscinão de Ramos do litoral sul, onde às vezes aparece submarino boiando de brinde) e foi para o Porto Brasil. Falava como quem trocou água de torneira por Perrier. Agora é um homem realizado.
No litoral sul, tudo é disputa social. Pirambúzios contra Búzios. Tabatinga contra Pirangi. É menos praia e mais campeonato de status. A regra é simples: quem não está no Porto Brasil, está fora. Frase que Dilma assinaria com firma reconhecida.
Virou moda dizer que o luxo de verdade agora é Búzios. É o mesmo papo de quem jura que Samsung é melhor que Apple. Pode até funcionar para convencer a si mesmo. Porto Brasil é Porto Brasil. O único defeito do complexo é o Villa Imperial, ali depois da Faixa de Gaza, um detalhe geográfico que separa o céu do purgatório.
Fim de mês é hora de serenidade. O cheque especial já foi pro saco, o cartão vai ser pago o mínimo, o material escolar bate à porta, o IPTU perdeu o desconto e o IPVA vem babando, além de ter que pagar aquelas multas que estão em atraso. Ainda tem o filho pressionando para trocar o carro na PG Prime. Veraneio é lindo, mas janeiro cobra juros emocionais.